Mais vagas, mesma disparidade: remuneração varia quase o dobro entre setores

Dados fazem parte do balanço divulgado pelo site Infojobs

O crescimento do mercado de trabalho em 2025 veio acompanhado de uma diferença significativa nos níveis de remuneração entre as áreas. Um balanço do Infojobs revela que, embora as vagas tenham se multiplicado ao longo do ano, os salários permaneceram fortemente concentrados em alguns setores apenas.

As áreas com maior volume de oportunidades, como atendimento, vendas, logística, serviços gerais, alimentação e telemarketing, responderam por uma parcela expressiva das contratações realizadas em 2025, cerca de 58% do volume total de anúncios de vagas nos últimos doze meses. São funções essenciais para o funcionamento da economia e com alta demanda contínua por profissionais.

No entanto, essas mesmas áreas apresentam médias salariais mais baixas quando comparadas a setores estratégicos. Em especializações ligadas ao atendimento, limpeza, telemarketing e serviços operacionais, os salários médios ficaram, em geral, abaixo da faixa de R$ 2,5 mil mensais.

Em contraste, áreas como tecnologia da informação, contábil e finanças, recursos humanos e saúde concentraram as maiores médias de remuneração do ano. Em tecnologia, por exemplo, os salários médios superaram R$ 3,6 mil iniciais, enquanto finanças e contabilidade ficaram acima de R$ 3,3 mil.

A diferença entre os dois grupos chega a representar quase o dobro da remuneração, evidenciando um mercado de trabalho segmentado, no qual o acesso à renda está diretamente associado ao nível e setor de trabalho.

Esse cenário indica que, mesmo com o avanço no número total de contratações, a estrutura salarial do mercado brasileiro seguiu marcada por assimetrias. O crescimento das vagas operacionais ampliou as oportunidades de inserção, mas não reduziu a distância em relação aos rendimentos financeiros de outras áreas.

Os dados do Infojobs também mostram que as áreas com salários mais elevados cresceram de forma mais seletiva ao longo de 2025. Embora estratégicas, essas funções exigem formação específica, experiência prévia e conhecimentos técnicos, o que restringe o acesso de parte significativa da força de trabalho.

Além disso, especializações ligadas à tecnologia, engenharia, marketing, administração e recursos humanos concentram praticamente todas as vagas que demandam conhecimentos associados à inteligência artificial, reforçando a relação entre inovação, qualificação e remuneração.

O balanço sugere que o mercado de trabalho brasileiro operou, em 2025, em duas velocidades distintas: uma voltada à ampliação do emprego operacional, responsável por sustentar a atividade econômica em sua base, e outra mais restrita, associada a funções técnicas e melhor remuneradas.

Esse retrato aponta para um desafio estrutural nos próximos anos. A ampliação do emprego, por si só, não garante a redução das desigualdades salariais, tornando cada vez mais central o debate sobre qualificação profissional, formação técnica e acesso a melhores oportunidades no mercado de trabalho.